Texto retirado de “mulherisma africana — uma teoria afrocêntrica”, de Nah Dove.
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| Um dos festivais da República Checa: "queima as bruxas" é uma tradição que é celebrada todos os anos no país. |
Por Nah Dove em "Mulherisma Africana".
FUNDAMENTOS PATRIARCAIS DE UMA SUPREMACIA BRANCA EM DESENVOLVIMENTO.
Dionísio representava a dualidade dos sexos e o desenvolvimento dos seres humanos, especialmente as mulheres. Diop diz que “ele é o deus cujo ensinamento contém todas as aspirações secretas da mulher ariana, tão constrangidas e sufocadas pela sociedade” (p. 174). Parece que as deusas Diana13 e Isis (Auset) foram reverenciados por toda a Europa a partir, pelo menos, do quinto século. É significativo que, tanto Diana, quanto Isis (Auset) eram Afrikanas. Diana era Etíope (Diop, 1959/1990, p. 80) e Isis (Auset) era de Kemet.
A presença moura na Europa teria feito pouco para aliviar este problema. Se o impacto das pessoas Afrikanas na Europa inculcou um medo dentro do cristianismo do conhecimento dos Mouros e sua conexão com a negritude, também deve ter transmitido um medo sobre o poder e o papel das mulheres Africanas, porque, naquele tempo, a fé islâmica praticada pelos mouros Africanos na Espanha ainda mantinham influências matriarcais, em oposição ao patriarcado do cristianismo católico. Reynolds (1992) observa que “os mouros eram conhecidos por terem sido governados por chefes do sexo feminino, mulheres santas ou rainhas, mesmo no tempo da islamização da África do Norte” (p. 111). Isso explicaria meninas e meninos que frequentam a escola e o status elevado de mulheres que eram, por exemplo, advogadas, médicas e professoras na Espanha Moura (Jackson, 1992).
De acordo com Mies (1986), milhões de mulheres foram assassinadas como bruxas do século 13 até o século 19. Ela relaciona este holocausto à guerra prolongada realizada por homens europeus contra as mulheres europeias para o controle sobre as instituições centradas no sexo feminino, durante o desenvolvimento do capitalismo (p. 70). Sale (1991), Walker (1983) e Stone (1976) vinculam a queima das bruxas à cristianização da Europa. A sanção dessas mortes pela Igreja, sugere Sale (1991), foi relacionado com o medo das mulheres por causa de sua prática de outras formas de culto, como animismo, adoração à deusa, e paganismo (p. 249). Em outras palavras, a consolidação do cristianismo na Europa pode bem ter sido uma tentativa planejada para acabar com influências espirituais matriarcais em mulheres europeias.
Contemporaneamente à queima das bruxas, para facilitar a expulsão dos povos Africanos e sua influência, a Inquisição foi projetada pela Igreja Católica para purgar a terra de não-cristãos, queimando os assim chamados hereges. É lógico supor que os hereges eram principalmente mulheres e homens Africanos os que lhes fossem associados. A pesquisa de Sale (1991) sugere que havia uma relação entre a queima de hereges e a queima das bruxas. Se este for o caso, então, quem foram as mulheres assassinadas? Em qualquer caso, nós sabemos que elas não eram cristãs. Muito provavelmente, elas não eram todas europeias, como Mies (1986) e Sale (1991) implicam. Se o que Mies (1986) postula — que a matança das bruxas foi sobre o controle da reprodução sexual das mulheres — for verdade, então, dada a natureza xenófoba dos europeus e o seu aparente medo da negritude, podemos supor que muitas dessas mulheres podem muito bem terem sido negras. Qualquer análise séria das características culturais e racializadas que sustentam a cristianização da Europa deve incluir o desenvolvimento do capitalismo através de expansionismo europeu e a construção da supremacia branca como base para o massacre em massa de mulheres, homens e crianças Africanos; Primeiro Nações de mulheres, homens, e crianças; e mulheres brancas que praticavam valores matriarcais. Parece claro que as forças culturais que surgiram a partir do patriarcado do norte resultaram na morte de milhões de mulheres cuja lealdade cultural e, possivelmente, a racial foram postas à prova.
Referências:
Diop, C. A. (1990). A Unidade Cultural da Africa Negra*. Chicago: Third World Press. (Original work published 1959)
Reynolds, D. ( 1992). The African heritage and ethnohistory of the Moors: Background to the emergence of early Berber and Arab peoples, from prehistory to the Islamic dynasties. In I. Van Sertima (Ed.), Golden age of the Moor. New Brunswick, NJ, and Oxford, UK: Transaction Publishing.
Jackson, J. (1992). The empire of the Moors. ln I. Van Sertima (Ed.), Golden age of the Moor. New Brunswick. NJ: Transaction Books.
Mies, M. (1986). Patriarchy and accumulation on a world scale. London: Zed Books.
Sale, K. (1991). The conquest of paradise. New York: Knopf.
Walker, B. G. (1983). The woman’s encyclopedia of myths and secrets. New York: Harper-Collins.
Stone, M. (1976). When God was a woman. San Diego, CA: Harvest.
